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segunda-feira, junho 08, 2009

Inglorious Basterds

Foto: Regis Duvignau/Reuters

Brad Pitt e Quentin Tarantino brincam com fotógrafos durante apresentação de 'Inglorious basterds', em Cannes (Foto: Regis Duvignau/Reuters)

Se é verdade que os norte-americanos não gostam de assistir a filmes com legenda, terão de aprender na marra se quiserem ver o novo filme de Quentin Tarantino, exibido pela primeira vez nesta quarta-feira (20) no Festival em Cannes.

"Não sou um cineasta americano. Eu faço meus filmes para o planeta Terra", declarou Tarantino em entrevista coletiva nesta manhã, logo após a sessão.

Formado por um elenco internacional, que inclui o ator americano Brad Pitt, a atriz francesa Mélanie Laurent, e os alemães Christoph Waltz, Daniel Brühl e Diane Kruger, "Inglorious basterds" alterna diálogos em inglês, francês, alemão e italiano. Dublagem é inviável, já que a graça do filme - uma história fictícia sobre um grupo de caça-nazistas durante a Segunda Guerra Mundial - está justamente nas sutilezas da (falta de) comunicação entre os personagens.


Pitt interpreta o tenente Aldo Raine, um militar americano que escala uma tropa de elite formada por soldados judeus para se vingar dos ataques nazistas na Europa. Batizados de "Os bastardos", cada integrante do grupo tem como missão recolher os escalpos de, pelo menos, cem oficiais nazistas cada um.

Do outro lado da guerra, está Hans Landa, general fluente em todas as línguas e com uma capacidade incrível de farejar a presença do inimigo por perto. Responsável pelos melhores diálogos do filme, o personagem interpretado pelo ator alemão Christoph Waltz é, sem dúvida, o maior trunfo de "Inglorious basterds".

A opinião é Tarantino: "Percebi cedo, quando ainda estava escrevendo o roteiro, que tinha em mãos esse personagem impressionante. Ele é um gênio da linguística, e eu sabia que só poderia filmar se conseguisse um ator com esse talento, ou o personagem não sairia do papel. Fizemos muitos testes e, quando eu estava quase desistindo, o Christoph veio, sentou e leu duas cenas para a gente. Olhei então para os produtores e falei: 'Nós vamos fazer o filme!'"

Brad Pitt como o tenente Aldo Raine, chefe do grupo de caçadores de nazistas conhecido como 'Os bastardos' (Foto: Divulgação)

Para Brad

Primeiro a ser convocado, Pitt também teve importância fundamental no projeto. "Artisticamente, eu e ele estávamos flertando há muito tempo nos corredores", disse Tarantino. "Brad sempre foi um ator com quem eu queria trabalhar um dia. Mas, para mim, não funciona assim. Nos meus filmes, os personagens sempre vêm antes. Então, quando escrevi o papel de Aldo, pensei: 'OK, este é para o Brad.'"

O ator americano conta como aceitou o convite: "Quentin me visitou uma dia em casa e levou o roteiro. Falamos a noite inteira sobre a história, sobre filmes... e, no dia seguinte, quando acordei, olhei na sala para as cinco garrafas de vinho vazias e uma parafernália estranha para fumar... Seis semanas depois já estávamos filmando." E completou: "Estou sempre procurando algo novo, um personagem que seja fresco. Mas é também a companhia que eu escolho. Se vou ficar esse tempo todo longe de casa e da minha família, então tem de ser com as pessoas que significam algo para mim".

Revelado no filme alemão "Adeus, Lênin!", Daniel Brühl conta que o convite para trabalhar com Tarantino foi a realização de um sonho particular. "Eu tinha 16 anos e fui ao cinema ver 'Pulp fiction'. Quando saí da sessão, virei para os meus amigos e falei: 'um dia eu vou fazer o meu filme'. Quase não acreditei quando recebi a ligação para fazer os testes", afirmou o ator, que interpreta um herói nazista de guerra que, em Paris, se apaixona pela dona de um cinema (Mélanie Laurent) chamada Shosanna sem saber que a jovem é uma judia fugitiva.

Bastardos e atriz espiã se misturam aos nazistas em cena de 'Inglorious basterds' (Foto: Divulgação)

Vingança a tacadas

Construído a partir de diálogos longos (e por vezes tediosos) e muitas cenas internas, "Inglorious basterds" traz algumas poucas sequências de ação e sadismo que lembram os velhos tempos de "Cães de aluguel". Elas incluem uma passagem em que um dos bastardos, conhecido como O Urso Judeu, estraçalha o crânio de um oficial nazista usando um taco de beisebol e as cenas em que o personagem de Pitt marca com uma faca a suástica na testa dos inimigos a quem decide poupar a vida.

Seria, finalmente, a vingança dos judeus operada pelas mãos de Quentin Tarantino? "Pode ser, mas não sei se colocaria nessa categoria se fosse separá-lo na estante de uma locadora de vídeo. Para mim, o filme é mais sobre esses personagens que eu inventei reescrevendo o destino da História", alivia o diretor.

Responsável pela catártica cena do taco de beisebol, o ator judeu Eli Roth deixa de lado o politicamente correto: "É algo que fantasio desde que era criança!"

Notas Sobre a Câmera RED ONE

Saiu na abcine o artigo escrito pelo fotógrafo Affonso Beato, ASC, ABC sobre a Red.
Vale a pena conferir.

Notas sobre a Camera RED ONE

Picture 1 1 2 3 4 5 - Picture 1 1 2 3 4 5

por Affonso Beato, ASC, ABC

Essas notas foram compiladas a partir da apresentação da camêra para o Comitê de Tecnologia da ASC – American Society of Cinematographers, em 1º de Maio de 2008 no auditório da Academy of Motion Picture Arts and Sciences em Los Angeles.
Todas as notas se referem ao modelo 15 da camêra.

Antes da apresentação, houve uma demonstração informal tanto da camera, como do hardware/software SCRATCH, que propõe decodificar os arquivos .r3d , corrigí-los, criar looks e exportar para dailies para Avid e/ou para DI em formato .dpx. O preço do SCRATCH é de aproximadamente US$32.000

A camera em seu modelo 15, com visor eletronico, on board monitor acoplado e com dois discos rígidos acoplados, ficou disponível para operação e testes com um modelo iluminado em cenario com varias cartas de côr e cartas de resolução . Varios testes foram gravados e transferidos para o SCRATCH e diversas correções e looks foram alí simulados.

A apresentação foi conduzida por Ted Schilowitz, um de seus desenhistas.

Características nominais do RED MYSTERIUM SENSOR:

Single CMOS Bayer chip com formato Super 35 balanceamento 5500 K (daylight)
Dynamic Range ( latitude ) 10 stops ou 66db
Compression: 10:1
12bit wavelet encoding of 4K raw files - .r3d
Visual lossless
True 4K resolution at 30mB/s
Output in SDI for external monitor
P/L mount
Realtime Partial Framesize decode at 1K and 2K
à 30fps – 4K
à 60fps – 3K
à 120fps – 2K ( no modelo 15 )
Recording:

Card 8GB 4.5min in 4K
Hard Disk: 2.5h in 4K
Decoding software : RED ALERT + REDCINE (free software)

A camera se comporta como uma camera de still produzindo arquivo RED RAW (.r3d) em espaço de côr REC 709 (espaço HD). O arquivo (container) contem a informação e um complemento (metadata) com as codificações.

Foi apresentado um demo clip de 9 minutos fotografado por Tony Richmond, ASC, BSC encomendado pela 20th Century Fox para avaliação. A projeção constou de uma versão em filme com DI feito pela Laser Pacific e uma versão DCP (digital cinema) projetados num Sony SXRD 4K.

Após a projeção a discussão sobre as características e visualização foram mediadas por Curtis Clark, ASC , Chairman do Comitê de Tecnologia da ASC, que estará na Semana ABC 2008.

O ASC Technological Committe é formado na sua maioria por membros associados, engenheiros e cientistas dos diversos fabricantes de equipamentos e serviços do audiovisual americano. O diretores de fotografia são minoria nesse comitê.
Estavam presentes representantes da Sony, Panavision, DeLuxe, Technicolor, Efilm, Laser Pacific, Assimilate, Kodak, Arri, entre outros.

A primeira consideração é que a camera não pode ser considerada 4K, nos atuais padrões de apresentação da industria, já que o samplimg do sensor Bayer de quatro elementos por celula, entrega dois elementos em verde , um elemento em Azul e um elemento em Vermelho. Ela então seria uma camera 2K com 4:2:2 ou uma camera 4K 2:1:1. Testes em MTF mostraram que o sensor responde como 4:2:0 , com uma deficiência na resolução do canal vermelho, o que faz sentido quando seu desenhista e diretor de marketing Ted Schilowitz , revela que o sensor é balanceado originalmente para daylight.
O comentário de um dos engenheios da Sony foi que se a RED é 4K, pela mesma teoria o projetor Sony seria 12K, e todas as outras cameras do mercado que se rotulam 2K 4:4:4 (sem compressão) seriam 4K puros….

A perda de resolução no canal de vermelhos fica clara, no excesso de moirê produzido nas panoramicas de cenas em altas-luzes (daylight high key).

Acompanhei no SCRATCH os testes feitos no dia pelo colega Bill Bennet, ASC sub-expondo varios stops e ficou claro que a latitute do sensor não é de 10stops.
O segundo stop de sub-exposição, quando apresentado no SCRATCH, se assemelha à 4 stops de filme. A falta de latitude no balanceamento quando a camera está em Tungsten Mode (balanceada para 3200) é com uma exposição em 320 ISO fica patente, pelo sensor ser originalmente balanceado para daylight e a perda no canal de vermelho for a mais alta.

Ficou claro tambem que os matizes de côr (color gamut) ficam comprometidos já que o arquivo original da camera entrega o gamut REC 709 que é o espaço de côr para sistemas em HD , não tão complexo como o Film gamut, que é completo.

Quando se aumenta o frame rate ( high speed ), o software divide o sensor em menores areas, fazendo com que a distancia focal das objetivas se multiplique por dois em 60fps ( resolução nominal 3K) e se quadruplique em 120fps (resolução nominal 2K) ou seja, se usarmos uma objetiva 25mm em 30fps, ela se tornará uma 50mm em 60fps e uma 100mm em 120fps. Visualmente a resolução em 120fps é sofrivel e se assemelha à 1K.

Esses comentários são de nível tecnólgico e servem à meu ver para conhecermos as possibilidades e limitações da camera em sua versão atual. Segundo Ted Schilowitz, que assina, Leader of the Rebellion da RED Digital Cinema, o sistema RED está em permanente evolução e seus novos firmwares são atualizados e entregues aos atuais proprietários de versões anteriores.

Não podemos deixar de nos entusiasmar por um equipamento que entrega uma imagem bastante nítida por um preço de aquisição de apenas US$18.000 (corpo) + US$2500, (RED zoom lens) + acessorios, o conjunto com monitor e visor por volta dos $ 30000.

Ted Schilowitz, anunciou que em quatro meses estará lançando a RED EPIC com menor compressão do que 10:1 e com o preço aproximado de US$40.000.
No entanto é importante saber que existem no mercado equipamentos digitais, com maior performance , principalmemte no que diz respeito à finalização em Digital Intermediate de longa metragens com distribuição em cópias no processo foto-químico.

Esperamos maiores discussões sôbre o assunto na Semana ABC 2008, onde estão programadas palestras, sobre Filme x Digital, apresentação e hands-on na RED e Silicon Image em cenário iluminado com modelo e cartas de côr além das palestras sôbre Color Space e o ASC CDL por Curtis Clark, ASC.

terça-feira, maio 19, 2009

Isabelle Huppert diz que cinema deve ser humanista

http://www.diplomatie.gouv.fr/en/IMG/jpg/59c8.jpg

Isabelle Huppert diz que cinema deve ser humanista


Luiz Carlos Merten
Agência Estado

Foi a coletiva do júri mais chocha dos últimos anos aqui em Cannes, principalmente se considerarmos a extensão dos talentos reunidos para cercar a presidência da 62ª edição do maior evento de cinema do mundo. Madame la Présidente é Mademoiselle Isabelle Huppert - "uma atriz francesa pode ter 100 anos, mas será sempre senhorita", disse, anos atrás, ninguém menos do que Jeanne Moreau - e com ela participam dessa jornada atrizes como Asia Argento, Robin Wright Penn e Shou Qi, além de diretores como James Gray e Nuri Bilge Ceylan, mais o escritor e roteirista Hanif Kureishi.

Cinco mulheres, incluindo a presidente, quatro homens. Mas Isabelle não tem paciência para feminismos de pacotilha. Para ela, o número não conta nada, da mesma forma como não existe um cinema ‘feminino’ em oposição a outro ‘masculino’. O cinema não tem sexo, ela afirma. O cinema que defende também não é político, embora ela entenda a declaração do presidente do júri no ano passado, Sean Penn, quando colocou a edição de 2008 sob o signo da política. "Ele é norte-americano", desculpa Isabelle. Para ela, o cinema deve ser humanista, e uma escolha estética. "Não estamos aqui para julgar, mas para amar", diz a senhora presidente.

Sua personalidade é forte e a imprensa francesa conjectura se Isabelle vai ser autoritária ou manipuladora. Claude Chabrol, com quem ela trabalhou várias vezes, aposta que será ‘persuasiva’. O júri teria coragem de ir contra a presidente?, perguntou Henri Béhar, que animava o debate. "Eu sou capaz de ir contra mim mesma", garantiu Isabelle. Hanif Kureishi talvez tenha resumido o dilema do júri, de qualquer júri, da forma mais sucinta - "A ideia de um prêmio só é interessante para quem ganha."

A coletiva parece um tanto burocrática. Mas a presença de Isabelle Huppert garante, antecipadamente, o glamour do tapete vermelho. Karl Lagerfeld, John Galliano e Marc Jacobs criaram modelos exclusivos para ela usar. Sua preferência é pelo cinema de autor, mas se engana quem acha que ela vai usar sua influência para premiar um de seus favoritos, o austríaco Michael Haneke, que participa da competição. O assunto, de qualquer maneira, foi evitado na coletiva.

Como curiosidade, a revista "Madame" pediu a Isabelle que fizesse uma lista de grandes filmes - "Notorious", "O Intendente" "Sansho", "O Eclipse", "A Princesa e o Plebeu", "A Marca da Maldade" e "Amores Brutos" foram seus favoritos. Mas ela acrescentou dois diretores à lista - Charles Chaplin, por todos os seus filmes, e Stanley Kubrick, por todos "e mais um pouco".

http://cafebeatnik.files.wordpress.com/2009/04/cannes.jpg

Cannes em 3-D e sem preconceito

Luiz Carlos Merten
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO / Caderno 2

Animação Up é programa que celebra a diversidade que dá tônica à 62.ª edição

Pode ser mera coincidência, mas exatamente há 62 anos, em 1947, pela primeira vez uma animação da Disney - Dumbo - foi exibida no Festival de Cannes. Ontem, outra animação, da Disney Pixar, inaugurou oficialmente o 62º festival. Up, de Pete Docter e Bob Preterson, que no Brasil vai ganhar o acréscimo de Altas Aventuras ao título original, foi um programa sob medida para celebrar a diversidade que dará a tônica desta edição. Cannes de todos os gêneros - melodrama, horror, fantasia. Cannes de todos os formatos e tecnologias.

Antes da sessão de abertura para a imprensa, o delegado artístico Thierry Frémaux, que organiza a seleção, subiu ao palco do Théâtre Claude Debussy para desejar a todos um bom festival. E ele pediu a jornalistas de todo o mundo que posassem para uma foto ?de família?, colocando os óculos especiais - além de animação, Up é em 3-D. Cannes entrou alegremente na terceira dimensão.

Muitos analistas veem no recurso o futuro do cinema porque a 3-D resiste à pirataria. Mas Up quase não se assemelha a um filme em terceira dimensão. Na maioria das vezes - horror ou remakes -, esses filmes abusam dos efeitos. Eles existem, claro, mas são perfeitamente ajustados à história e não meros pretextos para provocar exclamações do público. E a Pixar ainda consegue surpreender. Duvidam? Os 15 ou 20 minutos iniciais de Up são admiráveis, beiram a obra-prima. O filme começa como um cinejornal, mostrando o efeito que tem, sobre um garoto, a existência de um aventureiro como esse que vai aos confins da América do Sul, representando ?o espírito da aventura? (nome de seu dirigível).

O aventureiro desaparece em busca de uma ave rara - acusado que foi de forjar um esqueleto falso. O menino encontra sua alma gêmea, cresce, casa-se. Ele e ela vivem uma vida inteira sonhando com a ida para esse paraíso mítico. Envelhecem, ela morre - o começo de Up não apenas confronta o espectador com a dor da perda, tema de animações clássicas, como Bambi e Dumbo, mas também passa uma sensação rara de tristeza que talvez faça desse desenho um programa para adultos. Só então a aventura - o velho e um garoto - começa. Essa segunda parte tem seu encanto - o vilão é surpreendente -, mas de alguma forma a grande inovação ficou no intimismo minimalista da parte inicial.

Anos atrás, outra animação, Shrek, da DreamWorks, já abriu o festival. O retorno à animação é para mostrar que Cannes, abrindo sua janela para o cinema do mundo, não tem preconceitos. O filme passa fora de concurso. Apenas dois filmes de produção norte-americana, Inglorious Bastards, de Quentin Tarantino, e Taking Woodstock, de Ang Lee, integram a competição, contra cinco no ano passado. Em compensação, muitos filmes asiáticos - chineses, coreanos, um japonês.
A crise não atingiu a organização, garante Thierry Frémaux. Os parceiros econômicos são sólidos, o número de credenciamentos até aumentou, mas o volume dos filmes comercializados no mercado é coisa para conferir somente daqui a 12 dias. Ele justifica sua preferência pelos asiáticos de maneira transparente - "A Ásia traz um frescor e uma inovação que renovam o fascínio dos cinéfilos." O primeiro filme da competição, ontem à noite, foi asiático - Noites de Embriaguês Primaveril (Nuits d?Ivresse Printanière), do chinês Lou Ye. A corrida pela Palma de Ouro (re)começou.

Na Croisette

Eva Longoria, Gong Li e Michelle Yeoh são as garotas L?Oréal e a marca é a grande patrocinadora do festival. Nenhuma delas era esperada para a montée des marches, a subida da escadaria do palais, na noite inaugural. O brilho da marca foi representado por Elizabeth Banks na abertura.

Uma recente pesquisa apontou Sophie Marceau como a estrela favorita dos franceses. Ela terá direito a todas as honras deste 62.º festival, mas a expectativa maior é por Angelina Jolie, que deve acompanhar o marido, Brad Pitt, na sessão de gala de Inglorious Bastards, de Quentin Tarantino, e Monica Bellucci, cujo marido, Vincent Cassel, estrela o representante brasileiro na mostra Um Certain Regard, À Deriva, de Heitor Dhalia. Mas há quem jure que a multidão vai enlouquecer quando Eric Cantona, o Sr. Futebol, pisar o tapete vermelho, com o filme Looking for Eric, de Ken Loach.

Houve uma grita generalizada porque o curta Partly Cloudy, que deve acompanhar as exibições de Up - Altas Aventuras nas telas de todo o mundo, não passou como complemento nem na sessão de imprensa nem na de gala. No tapete vermelho, o brilho ficou por conta de Charles Aznavour, que dubla o velho protagonista. O festival, por sinal, rende homenagem a dois astros da música - além de Aznavour, Johnny Hallyday vem mostrar Veangeance, o novo thriller de Johnnie To. Para isso, ele vai interromper o tour de seu show de despedida, um espetáculo de três horas, que está levando por toda a França.

Só como curiosidade: várias animações já foram exibidas no festival, mas apenas duas foram premiadas. La Planète Sauvage, de René Laloux, ganhou o prêmio especial do júri em 1973. Em 2007, outro prêmio do júri foi para Marjane Satrapi, por Persépolis.

Gaspar Noé volta à competição depois de provocar escândalo com a cena do estupro de Monica Bellucci em Irreversível, anos atrás. O diretor franco-argentino assina Soudain le Vide. Mal desembarcou em Cannes e já está fazendo barulho. O novo filme, Destricted, é pornográfico, uma história bem prazerosa de sexo explícito, promete o cineasta.

Além do júri que vai outorgar a Palma de Ouro, presidido por Isabelle Huppert, outros júris estarão ativos. O diretor italiano Paolo Sorrentino preside o júri da mostra Un Certain Regard. O ator Roschdy Zem é o presidente do júri que vai entregar a Palma de Ouro dos diretores estreantes, a Caméra d?Or. E Radu Mihaileanou vai atribuir o prêmio do Office Catholique International du Cinéma (Ocic).

segunda-feira, maio 18, 2009

  • Reuters

    O diretor dinamarquês Lars Von Trier participa de entrevista coletiva sobre seu filme "Anticristo"

Visivelmente nervoso com o ataque, já com as mãos tremendo, Von Trier respondeu, em voz baixa e hesitante: "Não tenho que pedir desculpas por meus filmes. Não devo uma explicação. Neste filme, e nesta entrevista coletiva, vocês são meus convidados, e não o contrário".

Como previu o jornalista britânico, Von Trier foi lacônico e não quis comentar as cenas chocantes do filme ou determinadas escolhas feitas nas cenas mais violentas, que envolvem mutilação de genitália. E, mais uma vez, fez seu marketing pessoal sem modéstia. "Só posso dizer que nunca tenho escolha ao criar um filme. É a mão de Deus. Este filme foi um sonho transcrito para o cinema. E eu sou o melhor diretor do mundo".

O diretor de "Dogville" só se mostrou disposto a falar sobre o cineasta russo Andrei Tarkovski (1932-86), a quem dedica o filme. "Tarkovski sim é um verdadeiro deus. Sua relação com o mundo era profundamente religiosa. Eu também me sinto assim". E também destilou ironia ao comentar sua relação com os espectadores e jornalistas. "Não acredito no esforço de conquistar público para meus filmes. E não me incomodo com os ataques de vocês. Sempre fui atacado pela imprensa, e gosto disso".

O ator Willem Defoe, que interpreta o marido terapeuta do filme, que controla a mulher e mais tarde é subjugado por ela, comentou que Von Trier quase não conversa com os atores e não permite nenhum tipo de preparação ou ensaio antes das cenas. "O resultado é que, depois de alguns dias, você fica muito mais flexível e aberto aos impulsos e instintos".

A inglesa Charlotte Gainsbourg, filha de Jane Birkin e Serge Gainsbourg, que interpreta a mulher do filme, protagonista das piores cenas de violência, seguiu Von Trier e também falou pouco. "O mais difícil não foram as cenas de sexo ou nudez, mas aquelas que envolviam muita emoção e sofrimento. Foi uma experiência agradável, mas de uma maneira estranha".

terça-feira, maio 12, 2009

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http://ouiouioui.files.wordpress.com/2008/06/godard1.jpg

MADEMOISELLE NOUVELLE VAGUE

13 de maio a 02 de agosto de 2009


MADEMOISELLE NOUVELLE VAGUE é extremamente vaidosa – e com razão, pois ela inventou gestos, atitudes, maneiras de vestir, de falar e de amar. Sendo assim, é compreensível que ela também desenvolvesse uma mitologia própria. Mas quando se observa essa figura cinqüentenária, cuja vitalidade ainda permite que a chamemos de “mademoiselle”, é preciso lembrar tambem de seus ancestrais e de sua prole. Durante os próximos meses, a Cinemateca Brasileira presta homenagem aos 50 anos da Nouvelle Vague com a realização de uma retrospectiva inédita que reconstitui o desenvolvimento da vanguarda francesa desde seus primeiros filmes. A mostra retraça o arco histórico para comprovar que a ação da Nouvelle Vague vai muito além da cronologia mencionada nos livros (1959-1962). Composta por 60 títulos e contando com películas raras do acervo da instituição, a retrospectiva exibe não apenas os filmes mais marcantes do movimento, como também trabalhos de diretores fundamentais para sua formação – como Jean Renoir e Jean Vigo – e obras cujos temas e personagens dialogam diretamente com aqueles abordados pelos cineastas da vanguarda. Organizada em programas temáticos, a mostra conta com o apoio da Cinemateca da Embaixada da França. Neste primeiro mês, a programação se divide em “primeiros filmes” (com os longas-metragens de estréia dos grandes diretores da Nouvelle Vague e também o primeiro curta de François Truffaut), “cinefilia” (com os filmes que fizeram a cabeça dos cineastas de vanguarda e obras que tematizam o próprio cinema e seus realizadores) e “romance” (um dos temas mais caros aos cineastas do movimento).

Classificação indicativa: 16 anos.

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próximo ao Metrô Vila Mariana

Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)



Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.

PROGRAMAÇÃO



13.05 | QUARTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 ACOSSADO

20h30 OS PIVETES | OS INCOMPREENDIDOS



14.05 | QUINTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 NAS GARRAS DO VÍCIO

20h30 ASCENSOR PARA O CADAFALSO



15.05 | SEXTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h00 OS PIVETES | OS INCOMPREENDIDOS

20h30 ACOSSADO



16.05 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES

16h00 HIROSHIMA MEU AMOR

19h00 ASCENSOR PARA O CADAFALSO

21h00 NAS GARRAS DO VÍCIO



17.05 | DOMINGO

SALA CINEMATECA BNDES

16h00 OS PIVETES | OS INCOMPREENDIDOS

18h30 NAS GARRAS DO VÍCIO

20h30 ASCENSOR PARA O CADAFALSO



19.05 | TERÇA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h30 E DEUS CRIOU A MULHER



20.05 | QUARTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 O SIGNO DO LEÃO

20h30 O DESPREZO



21.05 | QUINTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 JEAN RENOIR, O PATRÃO

20h30 BOUDU SALVO DAS ÁGUAS



22.05 I SEXTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h00 O DESPREZO

20h00 O SIGNO DO LEÃO



23.05 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES

16h00 JEAN RENOIR, O PATRÃO

19h00 BOUDU SALVO DAS ÁGUAS

21h00 E DEUS CRIOU A MULHER



24.05 | DOMINGO

SALA CINEMATECA BNDES

16h00 O SIGNO DO LEÃO

18h00 CIDADÃO LANGLOIS

19h30 O DESPREZO



26.05 | TERÇA

SALA CINEMATECA BNDES

19h30 ZERO DE COMPORTAMENTO | DIVERTIMENTO CAMPESTRE



27.05 | QUARTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 OS AMANTES

20h30 O ATALANTE



28.05 | QUINTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h00 LOLA

20h00 ZERO DE COMPORTAMENTO | DIVERTIMENTO CAMPESTRE



29.05 | SEXTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 O ATALANTE

20h30 OS AMANTES



30.05 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES

19h00 LOLA

21h00 O ATALANTE



31.05 | DOMINGO

SALA CINEMATECA BNDES

16h00 ZERO DE COMPORTAMENTO | DIVERTIMENTO CAMPESTRE

18h00 OS AMANTES

20h00 LOLA

FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES



PRIMEIROS FILMES

Acossado

Acossado (À bout de souffle), de Jean-Luc Godard

França, 1960, 35mm, pb, 90’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger, Jean-Pierre Melville

Baixo orçamento, improvisação, uso de luz natural, câmera na mão etc., fazem de Acossado um marco da vanguarda francesa, em seu processo de ruptura com os padrões convencionais da linguagem cinematográfica. Nesta homenagem aos filmes policiais americanos classe B, Belmondo interpreta um ladrão perseguido pelo assassinato de um policial.

qua 13 18h30 | sex 15 20h30

Ascensor para o cadafalso

Ascensor para o cadafalso (Ascenseur pour l’échafaud), de Louis Malle

França, 1958, 35mm, pb, 88’ | Legendas em português

Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Jean Wall, Georges Poujouly

Primeiro longa-metragem de Louis Malle. Thriller noir, embalado pela música original de Miles Davis. Com a ajuda do amante, mulher resolve se livrar do marido – um corrupto homem de negócios.

qui 14 20h30 | sáb 16 19h00 | dom 17 20h30



E Deus criou a mulher (Et Dieu... créa la femme), de Roger Vadim

França/Itália, 1956, 35mm, cor, 95’ | Legendas em português

Brigitte Bardot, Curd Jürgens, Jean-Louis Trintignant, Jane Marken

No balneário de Saint-Tropez, a liberdade sexual de dois jovens recém-casados provoca reações nos mais conservadores. Marco da liberalização dos costumes, o filme transformou Brigitte Bardot numa estrela internacional.

ter 19 19h30 | sáb 23 21h00



Hiroshima meu amor (Hiroshima mon amour), de Alain Resnais

França/Japão, 1959, 35mm, pb, 90’ | Legendas em português | Exibição em DVD

Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud

Obra-prima anti-belicista, narra, por meio de flash-backs e longos planos-sequência, o romance entre um arquiteto japonês e uma atriz francesa, então em Hiroshima para atuar num filme. Roteiro da escritora Marguerite Duras.

sáb 16 16h00

Os incompreendidos

Os incompreendidos (Les quatre cents coups), de François Truffaut

França, 1959, 35mm, pb, 99’ | Legendas em português

Jean-Pierre Léaud, Claire Maurier, Albert Rémy, Guy Decomble

Um dos marcos inaugurais da Nouvelle Vague, trata das aventuras e delinquências de um garoto – Antoine Doinel – pelas ruas de Paris. Longa de estreia do diretor.

qua 13 20h30 | sex 15 18h00 | dom 17 16h00



Nas garras do vício (Le beau Serge), de Claude Chabrol

França, 1958, 35mm, pb, 98’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Jean-Claude Brialy, Gérard Blain, Michèle Méritz, Bernadette Lafont

Primeiro filme de Claude Chabrol, fortemente influenciado pelo cinema de Hitchcock. Jovem retorna à sua cidade natal, no interior da França, depois de doze anos. Ainda que a pequena vila seja quase a mesma, ele não consegue reconhecer seus antigos moradores. Ali, ele dedicará especial atenção a Serge, um amigo de infância, que se tornou um alcóolatra.

qui 14 18h30 | sáb 16 21h00 | dom 17 18h30



Os pivetes (Les mistons), de François Truffaut

França, 1957, 35mm, 25’ | Legendas em português

Gérard Blain, Bernadette Lafont, Alain Baldy, Robert Bulle

Bando de moleques espiona um casal de namorados. Seguem os dois por todos os lugares. Quando o rapaz viaja, encaminham um sugestivo cartão postal para a moça. Pouco depois, descobrem pelo jornal que o rapaz morreu num acidente.

qua 13 20h30 | sex 15 18h00 | dom 17 16h00



O signo do leão (Le signe du lion), de Eric Rohmer

França, 1959, 35mm, pb, 103’ | Legendas em português

Jess Hahn, Michèle Girardon, Van Doude, Paul Bisci

Estreia de Eric Rohmer na direção de longas-metragens. Músico falido recebe notícia de que sua tia milionária faleceu. Supõe que receberá a herança e, para comemorar, marca uma grande festa com os amigos. No entanto, logo depois, descobre que foi deserdado da família.

qua 20 18h30 | sex 22 20h00 | dom 24 16h00



CINEFILIA



Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux), de Jean Renoir

França, 1932, 35mm, pb, 85’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Michel Simon, Marcelle Hainia, Sévérine Lerczinska, Jean Gehret

Boudu, um vagabundo, tenta se suicidar atirando-se às águas do Sena. É salvo por um livreiro que o acolhe em sua própria casa. Longe de se mostrar grato ao gesto do homem, Boudu dedica-se, com furiosa obstinação, a subverter e destruir a ordem burguesa em que passa a viver. Obra-prima de Jean Renoir, com sequências realistas das ruas de Paris.

qui 21 20h30 | sáb 23 19h00



Cidadão Langlois (Citizen Langlois), de Edgardo Cozarinsky

França, 1994, vídeo, cor/pb, 65’ | Legendas em português | Exibição em DVD

Henri Langlois viveu uma única paixão: a obsessão por salvar, conservar e mostrar todos os filmes da história do cinema. Para muitas gerações de cinéfilos, ele foi a memória viva da sétima arte. Este filme retrata o percurso daquele que criou, em 1936, a Cinemateca Francesa. Foi um excelente programador, um extraordinário pedagogo e um grande artista do seu tempo. Com François Truffaut, Alfred Hitchcock, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, entre outros.

dom 24 18h00



O desprezo (Le mépris), de Jean-Luc Godard

França/Itália, 1963, 35mm, cor, 103’ | Legendas em português

Brigitte Bardot, Michel Piccoli, Jack Palance, Fritz Lang

Roteirista é contratado para trabalhar na adaptação de A Odisséia, de Homero, numa produção dirigida por Fritz Lang na Itália. É casado com uma bela mulher com quem enfrenta uma crise conjugal durante as filmagens. Baseado no romance de Alberto Moravia.

qua 20 20h30 | sex 22 18h00 | dom 24 19h30



Divertimento campestre (Partie de campagne), de Jean Renoir

França, 1936, 35mm, pb, 40’ | Versão original sem legendas | Exibição em 16mm

Sylvia Bataille, Georges D'Arnoux, Jane Marken, André Gabriello

Comerciante parisiense leva sua família para um passeio no campo. Enquanto pesca com o noivo da filha, ela e a mãe aproveitam o dia na companhia de dois rapazes... Pequena obra-prima de Jean Renoir, baseada em conto de Guy de Maupassant.

ter 26 19h30 | qui 28 20h00 | dom 31 16h00



Jean Renoir, o patrão (Jean Renoir le patron), de Jacques Rivette

França, 1966, 35mm, pb, 97’ | Legendas em português | Exibição em DVD

Às margens do Marne, em 1966, Jean Renoir e Michel Simon discutem a direção dos atores. Brincadeiras, piadas, canções e lembranças fundem-se em um clima de final de refeição, ao mesmo tempo alegre, suave e nostálgico. Perante o olho cúmplice de Jacques Rivette, uma evocação emocionante dos filmes que fizeram juntos de 1928 a 1940. Produzido para a série de TV Cinéastes de notre temps.

qui 21 18h30 | sáb 23 16h00



Zero de comportamento (Zéro de conduite), de Jean Vigo

França, 1933, 35mm, pb, 41’ | Versão original sem legendas | Exibição em 16mm

Jean Dasté, Robert le Flon, Du Verron, Delphin

Filme anarquista sobre grupo de meninos que se revolta contra as práticas autoritárias de um colégio. François Truffaut rendeu-lhe homenagens em Os incompreendidos.

ter 26 19h30 | qui 28 20h00 | dom 31 16h00



ROMANCE

Os amantes

Os amantes (Les amants), de Louis Malle

França, 1958, 35mm, pb, 90’ | Legendas em português

Jeanne Moreau, Alain Cuny, Jean-Marc Bory, José-Luis Villalonga

Mulher casada e interiorana, obcecada pela moda, tem sua vida bruscamente transformada por um jovem avesso à hipocrisia. Além de marco do moderno cinema francês, este filme é um clássico do erotismo cinematográfico. O tratamento de arrebatamento visual, isento de culpa e julgamento moral que Malle dá ao adultério, causou enorme furor e polêmica na época de seu lançamento.

qua 27 18h30 | sex 29 20h30 | dom 31 18h00



O Atalante (L’atalante), de Jean Vigo

França, 1934, 35mm, pb, 89’ | Legendas em português

Michel Simon, Dita Parlo, Jean Dasté, Gilles Margaritis

Jovem provinciana se casa com o dono de um pequena embarcação comercial. Os amantes passam a viver na barcaça que navega rumo à Paris em lua de mel. No entanto, frustações matrimoniais fazem com que eles se separem.

qua 27 20h30 | sex 29 18h30 | sáb 30 21h00



Lola, de Jacques Demy

França, 1961, 35mm, pb, 85’ | Legendas em português

Anouk Aimée, Marc Michel, Elina Labourdette, Alan Scott

Dançarina de cabaré espera pelo regresso do namorado que há sete anos foi para a América e é pai de seu filho. O rapaz prometeu a ela que voltaria somente quando estivesse rico. Durante sua ausência, a moça é cortejada por dois homens. “Um musical sem música”, na definição do diretor, o primeiro longa-metragem de Jacques Demy é dedicado ao cineasta Max Ophüls.

qui 28 18h00 | sáb 30 19h00 | dom 31 20h00

segunda-feira, abril 27, 2009

Coppola vai exibir novo filme em mostra paralela de Cannes

25/04/2009 - 18:26 - Redação - último segundo

PARIS – Ignorado entre os filmes selecionados para competição no Festival de Cannes, "Tetro", o novo longa-metragem de Francis Ford Coppola ("Apocalypse Now", "O Poderoso Chefão"), será exibido na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do evento na riviera francesa.

Vincent Gallo protagoniza "Tetro" / Divulgação

"Tetro" havia sido convidado para uma exibição especial, mas Coppola, decepcionado, não aceitou, já que tinha planos maiores para o filme em Cannes. O longa, então, ia ser projetado no Festival Internacional de Seattle, mas os organizadores da Quinzena dos Diretores conseguiram convencer o cineasta a estrear sua nova produção na mostra.

A comédia gay "I Love You Philip Morris", estrelada por Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro está entre os filmes selecionados ao lado de Coppola. O único representante brasileiro é o curta-metragem "SuperBarroco", de Renata Pinheiro. O formato também garantiu outros dois concorrentes brasileiros na Semana da Crítica: "Elo" e "Espalhadas pelo Ar", ambos de Vera Egito.

O 62º Festival de Cannes acontece de 13 a 24 de maio e será aberto pela animação "Up", dos estúdios Disney-Pixar. Alguns dos maiores cineastas do mundo vão disputar a Palma de Ouro, entre eles Pedro Almodóvar ("Abrazos Rotos"), Lars Von Tier ("Anticristo"), Alain Resnais ("Les Herbes Folles"), Quentin Tarantino ("Inglorious Bastards"), Michael Haneke ("Das Weisse Band") e Ang Lee ("Taking Woodstock").

"À Deriva", de Heitor Dahlia, único longa-metragem brasileiro selecionado para Cannes, será exibido na seção "Um Certo Olhar". Veja as produções selecionadas para a Quinzena dos Realizadores:

- "Ajami", de Scandar Copti e Yaron Shani (Alemanha, Israel)
- "Amreeka", de Cherien Dabis (EUA)
- "Les Beaux Gosses", de Riad Sattouf (França)
- "Carcasses", de Denis Coté (Canadá)
- "Daniel y Ana", de Michel Franco (México)
- "Eastern Plays", de Kamen Kalev (Bulgária)
- "La Famille Wolberg", de Axelle Ropert (França)
- "Go Get Some Rosemary", de Benny e Josh Safdie (EUA)
- "Here", de Tzu-Nyen Ho (Cingapura)
- "Humpday", de Lynn Shelton (EUA)
- "I Love You Phillip Morris", de Glenn Ficarra e John Requa (EUA)
- "J’ai tué ma mère", de Xavier Dolan (Canadá)
- "Like You Know It All", de Hong Sangsoo (Coréia do Sul)
- "Karaoke", dey Chan Fui (Chris) Chong (Malásia)
- "La Merditude des choses", de Felix Van Groeningen (Bélgica)
- "Navidad", de Sebastian Lelio (Chile)
- "Ne change rien", de Pedro Costa (Portugal)
- "Oxhide II", de Liu Jiayin (China)
- "La Pivellina", de Tizza Covi e Rainer Frimmel (Áustria)
- "Polytechnique", de Denis Villeneuve (Canadá)
- "Le Roi de l’évasion", de Alain Guiraudie (França)
- "La Terre de la folie", de Luc Moullet (França)
- "Tetro", de Francis Ford Coppola (Argentina, Espanha)
- "Yuki & Nina", de Nobuhiro Suwa e Hippolyte Girardot (França, Japão)

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O novo filme de Francis Ford Coppola vai ser exibido na noite inaugural da Quinzena dos Realizadores, uma secção paralela altamente prestigiada e que investe numa programação de autores emergentes ou com forte marca autoral.

O próprio Coppola assumiu a inclusão do filme na Quinzena salientando que esta obra mais pessoal é uma espécie de grito de independência e que deve estar no local onde são exibidos filmes de novos realizadores.

" I am extremely pleased to bring TETRO to Director's Fortnight. This film embodies my original passions as a filmmaker, and is a reflection of my goals and ideals when I first began. It is so difficult to work in a personal way in the cinema today, between the business constraints and commercial realities, that you must let your work be a cry for independence, which is why it is so appropriate that TETRO is premiered in the Director's Fortnight, where young filmmakers go."

O filme chegou a ser apontado para a selecção oficial do festival. O regresso de Coppola adquire uma dimensão de grande efeméride, porque "Apocalipse Now" foi premiado há 20 anos com a Palma de Ouro.

"Tetro" é sobre os conflitos entre irmãos de uma família de origem italiana emigrada na Argentina. Foi rodado em Buenos Aires, com Vincent Gallo, Maribel Verdú e Carmen Maura. Há informação no sítio oficial e o próprio Coppola introduziu o filme nesta declaração difundida na internet, onde sublinha que este é o primeiro argumento que escreve desde "The Conversation" em 1974.

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Francis Ford Coppola faz 70 anos prestes a estrear novo filme

Com cinco prêmios Oscar na carreira e diretor de 'O Poderoso Chefão' está prestes a lançar 'Tetro'

AP

Coppola e sua filha Sophia

WASHINGTON - O cineasta que presenteou o mundo com a trilogia de O Poderoso Chefão e Apocalypse Now, Francis Ford Coppola, completa nesta terça-feira, 7, 70 anos, com cinco prêmios Oscar em sua carreira e muita vontade de seguir fazendo cinema, como demonstra sua filme mais recente, Tetro, pronto para a estreia nos cinemas.

Com grandes sucessos e enormes fracassos, Coppola soube passar por cima de tudo isso e, entre filmes sob encomenda e projetos personalíssimos, construiu uma das corridas mais ecléticas e interessantes de Hollywood.

Nascido em Detroit, no dia 7 de abril de 1939, em uma família de origem italiana, é filho da Italia Pennino e do compositor e diretor de orquestra Carmine Coppola, que colaborou em algumas das trilhas sonoras de seus filmes.

Transferida a família para Nova York, Coppola passou sua infância no Queens e aos nove anos contraiu poliomielite (paralisia infantil), doença que lhe manteve um ano na cama, período no qual se distrairia criando peças com marionetes e filmes familiares em Super 8 (câmera da época).

Em 1960, Coppola se graduou na Universidade Hofstra e, em seguida, fez especialização de Belas Artes em direção cinematográfica na Escola de Cinema da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Embora já tivesse realizado diversos trabalhos como diretor, sua estreia em longas-metragens foi com Demência 13 (1969), da qual foi diretor e roteirista, função que desempenhou tanto para suas próprias produções quanto para as de outros.

Após alguns trabalhos nos quais não chamou especialmente a atenção, chegou O Poderoso Chefão, de 1972, uma joia do cinema, que marcou um antes e um depois nos filmes sobre a máfia e que é considerado o segundo melhor filme da história pelo Instituto de Cinema Americano, superado apenas por Cidadão Kane (1941), de Orson Welles.

Coppola não estava convencido de levar à grande tela o best-seller de Mario Puzzo, mas finalmente embarcou em um projeto que lhe lançou ele e Al Pacino ao estrelato e que se transformou em uma dos filmes de maior bilheteria de todos os tempos.

Ele já tinha ganhado um Oscar como roteirista de Patton: rebelde ou herói? (1970) e O Poderoso Chefão lhe proporcionou o segundo, também pelo roteiro -assim como o de Melhor Ator, para Marlon Brando e o de Fotografia -, além de todo o reconhecimento que pudesse desejar.

Isso lhe permitiu rodar A Conversação (1974), uma mudança radical de gênero, que foi seu primeiro grande fracasso comercial, mas que foi bem recebido pela crítica, ganhando a Palma de Ouro no Festival de Cannes e que, com a passagem dos anos, passou a ser considerado um de seus melhores filmes.

Também em 1974, filmou a segunda parte de O Poderoso Chefão, que apesar de arrecadar muito menos do que a primeira, conseguiu três prêmios Oscar (o primeiro de Coppola como diretor, assim como os de melhor filme e roteiro) e lhe permitiu iniciar em um projeto que iria acabar sendo um autêntico pesadelo.

A filmagem de Apocalypse Now, adaptação do complexo romance O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, foi um inferno no qual aconteceram todos os problemas, técnicos, econômicos, pessoais e climatológicos, imagináveis.

O orçamento disparou, o protagonista, Martin Sheen, sofreu um infarto, os cenários foram destruídos por uma tempestade tropical, a filmagem eternizou e os trabalhos de pós-produção não ficaram atrás, tanto que ele só foi lançado cinco anos depois O Poderoso Chefão - Parte 2, em 1979.

O resultado é um filme obscuro, complexa e difícil, com interpretações impressionantes, especialmente de Marlon Brando, fotografia e música espetaculares, que foi imediatamente considerado uma obra prima e ganhou outra Palma de Ouro em Cannes.

Após este complexo processo, porém, Coppola começou outro projeto que não seria menos complicado e que iria mudar sua trajetória profissional: O Fundo do Coração (1982), um musical que foi um gigantesco fracasso comercial.

Coppola perdeu seus estúdios, sua casa e seu patrimônio e teve que aceitar trabalhos sob encomenda para poder pagar as dívidas, como Cotton Clube (1984) e Peggy Sue - Seu Passado a Espera (1986).

Mesmo assim, também teve tempo para rodar filmes estupendos como O Selvagem da Motocicleta e Vidas Sem Rumo, lançados em 1983.

Ainda sem sair de sua crise econômica decidiu fazer a terceira parte de O Poderoso Chefão (1990), muito menor do que as duas primeiras quanto à qualidade e às ambições.

Drácula de Bram Stoker (1992), Jack (1996) e O Homem Que Fazia Chover (1997) foram alguns de seus seguintes trabalhos, nos quais seguiu mostrando talento, mas sem encantar como fizera anteriormente.

Agora, à espera do estreia de Tetro, ele dedica-se também à produção, como, por exemplo dos filmes de sua filha Sophia, que também despontou como diretora.

No entanto, Francis Ford Coppola, mantém claras suas prioridades. Amo o cinema; gosto de outras coisas, como o vinho e a comida, mas o cinema é mágico e eterno. Sempre aprendo coisas boas.



sexta-feira, abril 10, 2009


Revista SET é cancelada, mas ainda há esperança de retorno

Do site CINEMA EM CENA


02/04/2009

Apesar ter sido anunciado o cancelamento da Revista SET, ainda existe a possibilidade da publicação voltar às bancas. É o que diz Roberto Sadovski, diretor de redação da revista, com exclusividade ao Cinema em Cena.

Sadovski enviou um e-mail ao site Omelete e revelou que a Editora Peixes não vai mais publicar esta que é uma das maiores revistas de entretenimento do Brasil. Porém, segundo o próprio, o fim pode não ser permanente, já que ele acredita que ainda há esperanças de que outra editora passe a publicá-la.

Com Mickey Rourke na capa, a primeira edição da revista saiu em julho de 1987 e se tornou referência entre as publicações impressas brasileiras. Em uma época em que a Internet ainda não foi popularizada e as notícias não tinham a rapidez de hoje, ela se tornou uma publicação obrigatória para os apaixonados por cinema. Ainda nos dias atuais, vários colaboradores da SET traziam informações direto de Hollywood.

A SET foi o resultado do objetivo da Editora Abril de produzir publicações destinadas a segmentos específicos. De 1987 a 1998, a revista foi publicada pela editora Azul, uma filial da Abril, nos seus primeiros onze anos de vida e pela própria Abril em 1998. A partir de 1999, a SET passou a ser um produto da editora Peixes. Segundo a fonte, a revista já quase foi cancelada, mas conseguiu dar a volta por cima. Porém, a Peixes "está, aparentemente, saindo do mercado", e o cancelamento é, agora, inevitável.

SET reuniu grandes nomes do jornalismo brasileiro como Alfredo Sternheim, Sérgio Rizzo, Suzana Uchôa Itiberê, Dulce Damasceno de Brito e outros.

Segundo o e-mail de Sadovski ao Omelete, a edição de abril estava pronta, mas não será distribuída nas bancas e aos assinantes.

Clique aqui para ler o comentário de Pablo Villaça, editor do Cinema em Cena e colaborador de SET no quadro Ponto Crítico, sobre o cancelamento da revista.

Sesc promove festival com os melhores filmes de 2008

Mostra reúne títulos eleitos por críticos e pelo público.
Ingressos custam R$ 8; é possível comprar pacotes promocionais.

Do G1

Começa nesta quinta-feira (9) o “Festival Sesc Melhores Filmes”, que reúne os melhores filmes do ano passado em uma mostra que vai até 30 de abril. A seleção foi feita por críticos e também pelo voto do público, somando um total de 54 longas-metragens.

Na programação estão filmes nacionais e estrangeiros que ganharam destaque e fizeram sucesso no ano passado, como “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen (veja o trailer ao lado); “Juno”, de Jason Reitman; “Batman – O cavaleiro das trevas”, de Christopher Nolan; a animação “Wall-e”, “Onde os fracos não têm vez”, dos irmãos Coen; “O caçador de pipas”, de Marc Forster.

Entre os nacionais estão “Os desafinados”, de Walter Lima Jr.; “Linha de passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas; “Encarnação do demônio”, de José Mojica Marins.

Ótima chance para colocar o repertório em dia, o festival ainda traz preços mais acessíveis. A entrada individual custa R$ 8 e há também pacotes promocionais – o passaporte para ver 15 filmes custa R$ 80.

Confira a programação completa no site do Sesc.

Festival Sesc Melhores Filmes
De 9 a 30 de abril.
No CineSesc-São Paulo (Rua Augusta, 2.075, Cerqueira César)
Tel.: (11) 3087-0500.

Ingressos: R$ 8 (inteira), R$ 4 (estudante, aposentado/idoso, professor da rede pública e usuário inscrito) e R$ 2 (trabalhador do comércio e serviços, matriculado).

Passaporte 15 filmes: R$ 80 (inteira), R$ 40 (estudante, aposentado/idoso, professor da rede pública e usuário inscrito) e R$ 20 (trabalhador do comércio e serviços, matriculado).

quarta-feira, abril 08, 2009

Paulínia anuncia incentivo de R$ 8 milhões para produções audiovisuais

EDUARDO TARDIN
De Paulínia *
A prefeitura municipal de Paulínia anunciou nesta sexta-feira (3) que destinará R$ 6 milhões para patrocinar dez projetos de longa metragem de ficção e R$ 2 milhões para projetos de documentários, telefilmes, novelas e mini-séries. O valor supera em 2,5 milhões de reais o total dos incentivos concedidos no ano passado, quando apenas longas de ficção e documentários concorriam às verbas de incentivo.
  • UOL/Aline Arruda

    O diretor Roberto Moreira ensaia Silvia Lourenço para antes de gravar cena para o inédito "Condomínio Jaqueline", rodado em meados de 2008 nos estúdios do Polo de Paulínia

Na coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta no polo cinematográfico da cidade, a 126 km de São Paulo, o secretário de Cultura Emerson Pereira Alves também anunciou os valores dos prêmios que serão distribuidos aos vencedores do Festival de Cinema de Paulínia, de 9 a 16 de julho. O valor total de R$ 650 mil é o mesmo da primeira edição do festival.

Este ano, porém, a categoria de melhor roteiro terá apenas um premiado, sem segundo ou terceiro lugares. Também foi anunciada a criação de um festival de Televisão em Paulínia, ainda sem data definida.


O prefeito de Paulínia, José Pavan Junior (DEM), não compareceu ao evento como o previsto, por causa de "compromissos de última hora", segundo o secretário de cultura. Na ausência dele, Rubens Ewald Filho, curador do Festival de Cinema de Paulínia, abriu a entrevista dizendo que "Paulínia sofreu uma mudança, mas não parou".

Na sequência, o secretário de Cultura ainda brincou com os presentes, dizendo que uma das perdas do projeto este ano foi o acento agudo de "polo", por causa reforma ortográfica. Depois, disse que se trata de um projeto da cidade, e não de um governo. Foi na gestão de Edson Moura (PMDB), prefeito da cidade de 2001 a 2008, que teve início o projeto de transformar a cidade em polo cinematografico - antes, era mais conhecida por seu polo petroquímico.

Contrapartidas para a cidade
Este ano, os projetos selecionados deverão prever pelo menos 25% do tempo de filmagens em Paulínia, além da obrigatoriedade de investir 40% do valor do incentivo na própria cidade. Além disso, o edital do concurso estabelece uma série de contrapartidas obrigatórias, dentre as quais o número de profissionais residentes na cidade que trabalharão nas filmagens e o número de locações e atividades realizadas no município. As contrapartidas estão entre os critérios de avaliação para os projetos, que serão selecionados por uma comissão presidida pelo secretário de Cultura.

No evento, foi anunciada ainda a criação de um festival apenas para projetos de televisão, que ainda não tem data definida, e que não coincidirá com o de cinema. Alves disse na coletiva que a cidade pretende receber não apenas produções de filmes de ficção, mas também projetos para TV e filmes publicitários. Ele citou a importância das retransmissoras do interior e o crescimento do número de projetos independentes para TV como fatores que os motivam a seguir por este caminho.

No ano passado, a cidade financiou parte de produções como "Condomínio Jaqueline", de Roberto Moreira, "O Contador de Histórias", de Luiz Villaça, "Salve Geral", de Sergio Rezende, "Cabeça a Prêmio", de Marco Ricca e "Jean Charles", de Henrique Goldman. Todos tem previsão de estreia ainda em 2009.

* (O repórter viajou a convite da Prefeitura de Paulínia)

segunda-feira, março 30, 2009

Produtoras brasileiras vão a Cannes buscar co-produções

Programa brasileiro de incentivo a exportação leva importantes produtoras para o grande evento do mercado televisivo.

O MIPTV é um dos mais importantes eventos do mercado televisivo e acontecerá entre 30 de março e 3 de abril no Palais des Festivals, em Cannes. O encontro reunirá representantes de mais de 110 países em conferências, área de exposição e outros eventos. Mais de 13.300 profissionais de criação, produção e distribuição das mídias tradicionais às novas plataformas digitais estarão presentes.

As produtoras brasileiras Elo, Ioiô Filmes, Labo Cine, MaMo Filmes, Mixer, Prodigo, Touareg, TV PinGuim e o Festival do Rio estarão no MIPTV 2009. A participação acontece graças ao incentivo do programa Brazilian TV Producers- BTVP, que, há quatro anos, tem como objetivo promover o conteúdo independente no exterior e viabilizar co-produções e parcerias comerciais.

Os documentários, filmes, séries e animações brasileiros serão apresentados a compradores de televisão, internet, telefonia celular, IPTV, VOD e Telecom de todo mundo. As produtoras estarão no Guia do MIPTV e utilizarão o stand do Brazilian TV Producers para reuniões de negócios.

Da REVISTA DE CINEMA

Edital tem iscrição até 13 de julho, premiação será de R$ 9,3 milhões

A ANCINE comunica o lançamento do edital com as regras para a concessão do Prêmio Adicional de Renda 2009 (PAR 2009), que contempla empresas brasileiras produtoras, distribuidoras e exibidoras de filmes nacionais. O valor total do prêmio este ano é de R$9,3 milhões, superando os R$8,2 milhões destinados ano passado. A inscrição no processo de seleção deve ser feita até o dia 13 de julho de 2009. A premiação acontece de acordo com o desempenho comercial dos filmes brasileiros no mercado de salas de exibição do país.

Para a participação de empresas produtoras e distribuidoras, serão consideradas as obras cinematográficas de longa-metragem brasileira de produção independente cujo lançamento comercial no mercado de salas de exibição tenha ocorrido entre 1º de dezembro de 2007 e 30 de novembro de 2008. Já para as empresas exibidoras serão considerados os filmes nacionais lançados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2008. Os exibidores também devem ter cumprido a Cota de Tela determinada para o ano de 2008. A íntegra do edital e outras informações sobre o PAR 2009 podem ser encontradas na internet, no endereço www.ancine.gov.br.

Realimentação da indústria

Conforme norma da ANCINE, os recursos obtidos com a premiação devem ser obrigatoriamente aplicados no desenvolvimento de novos projetos, de acordo com o segmento de atuação da empresa contemplada. Empresas produtoras, por exemplo, podem investir em desenvolvimento de projetos, complementação de recursos para filmagem, ou finalização; empresas distribuidoras podem investir em desenvolvimento de projetos, aquisição de direitos de distribuição com a utilização dos recursos na produção da obra, ou em comercialização de obras já produzidas; já empresas exibidoras podem investir o valor da premiação em automação de bilheteria, infra-estrutura das salas, complementação de renda para abertura de novas salas ou aquisição de equipamentos digitais, além de projetos de formação de público para o cinema brasileiro.

Em 2008, em sua 4ª edição, o PAR concedeu apoio financeiro para 66 empresas distintas – sendo 24 produtoras, 11 distribuidoras e 32 empresas exibidoras. O primeiro lugar da premiação para as produtoras ficou para a empresa Zazen Produções Audiovisuais Ltda. com o filme “Tropa de Elite”. Dentre as distribuidoras, o destaque ficou para a Cannes Produções S/A pela distribuição dos filmes “A Via Láctea”, “Ó paí, ó” e “O Mundo em Duas Voltas”. No caso das exibidoras, 06 salas isoladas e 11 complexos de 02 salas conquistaram o prêmio máximo, previsto no PAR 2008, de R$68.635,00.

TOULOUSE, França (AFP) - O filme equatoriano "Impulso" de Mateo Herrera foi o grande vencedor do 21º Festival Encontros de Cinemas da América Latina de Toulouse, no qual o curta brasileiro Atlântico, de Fabio Meira de Sousa, levou um dos prêmios da categoria.

Premiação:

Grande Prêmio: "Impulso" de Mateo Herrera (Equador)

Prêmio de Público: "El artista" de Mariano Cohn e Gastón Duprat (Argentina)

Prêmio Descobrimento: "Vil romance" de José Campusano (Argentina)

Prêmio Fipresci: "Historias extraordinárias" de Mariano Llinás (Argentina)

Prêmio Signis de Documentário: "La asamblea" de Galel Maidana (Argentina)

Prêmio Signis de Curta-metragem: "Café Paraíso" de Alfonso Ruizpalacios (México)

Prêmio "Courtoujours" de Curta-Metragem: "Atlântico" de Fabio Meira de Sousa (Brasil)



terça-feira, março 24, 2009

Do Blog do KAS

TECNOLOGIA REALD X LEGENDAS

by Kas 9. March 2009 06:11

O cinema 3D já possui cerca de 60 anos (se excetuarmos as experiências anteriores a esta data), mas só agora, com a tecnologia digital, é possível curtir a imersão sem enfrentar a ressaca depois da projeção. Pelo menos por enquanto, os óculos azuis (ou verdes) e vermelhos estão relegados às edições em home vídeo, já que nos cinemas o que temos atualmente são os óculos polarizados circularmente (não confundir com os óculos polarizados linearmente, que envolvem dupla projeção e, dependendo de onde você se sentar no cinema, resultam em uma falta de sincronia das imagens).

São estes óculos polarizados circularmente que fazem a festa da audiência de CORALINE e, a partir desta sexta-feira, DIA DOS NAMORADOS MACABRO. Ambos os filmes foram realizados com a tecnologia RealD, que, simplificando, alterna projeções para o olho direito e para o olho esquerdo, numa freqüência total de 144 quadros por segundo (seis vezes a de uma projeção normal). Estas projeções são polarizadas circularmente através de um display de cristal líquido posicionado em frente ao projetor. Os óculos então “decodificam” estas imagens, fazendo com que cada olho veja apenas a imagem correspondente. Como a frequência é altíssima, nosso cérebro lê ambas as imagens alternadas como se estivessem sendo exibidas ao mesmo tempo.

O que nos leva ao fundamento básico da terceira dimensão, o volume. Por que enxergamos o mundo em 3D? Porque temos dois olhos, dispostos horizontalmente, e cada um deles envia para o cérebro uma imagem específica, levemente alterada com relação ao do outro olho, e cabe o cérebro a processar estas duas imagens em uma única, que é a que nós compreendemos. Experimente tapar um dos olhos durante um mês e sofra com os efeitos colaterais de sentir o mundo em 2D (claro que demora um pouco para o cérebro parar de “decodificar” o volume das coisas).

Voltando ao nosso assunto, a tecnologia RealD foi usada em praticamente todos os filmes 3D recentes, como A LENDA DE BEOWULF, U2 3D, VIAGEM AO CENTRO DA TERRA 3D (ao qual assisti recentemente em Blu-ray, com os infames óculos coloridos) e os já citados CORALINE e DIA DOS NAMORADOS MACABRO. Ainda este ano teremos ALTAS AVENTURAS da Pixar, G-FORCE, PIRANHA 3D, MONSTROS VS. ALIENÍGENAS, A ERA DO GELO 3, PREMONIÇÃO 4, ASTRO BOY e o muito aguardado AVATAR de James Cameron.

O que nos leva ao seguinte questionamento: qual a razão destes filmes não serem exibidos, na versão 3D, com legendas em nossos cinemas? É tecnicamente impossível? Acredito que não. Pra mim, as distribuidoras e exibidores temem com que legendas bidimensionais sobrepostas a uma imagem tridimensional possam prejudicar a apreciação das últimas, o que num primeiro momento é até verdade. A questão é o que prejudica mais, as legendas ou a dublagem? Se estiver errado, que me corrijam, mas a dificuldade técnica que existe para a inserção de legendas em filmes que utilizem do RealD é basicamente criar legendas para 144 quadros por segundo (sendo 72 quadros por segundo para olho direito e 72 para o olho esquerdo), no lugar dos convencionais 24 quadros por segundo, e sincronizá-las. Pode até ser que o custo-benefício, somado ao atrito das legendas 2D às imagens 3D já mencionadas, não seja tão atraente na cabeça dos distribuidores.

Eu, particularmente, sou jogado pra fora do filme quando o vejo dublado, quando o objetivo, principalmente no caso das projeções 3D, é exatamente o oposto. E você, o que acha?

terça-feira, março 10, 2009

Fuga de patrocínio já afeta eventos do calendário no país

Jotabê Medeiros

Alguns indicadores que apontam para um refluxo da atividade cultural e do seu financiamento no País em 2009:

O TIM FESTIVAL E O PRÊMIO TIM DE MÚSICA foram "descontinuados", eufemismo usado pelo seu patrocinador, para dizer que não serão realizados em 2009.

A 18.ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CURITIBA, tradicional evento do calendário de artes cênicas do País, entre 17 e 29 de março, perdeu cerca de R$ 350 mil do patrocínio da Petrobras, que vinha contribuindo regularmente com o evento. Seu orçamento total é de cerca de R$ 3 milhões.

A VIRADA CULTURAL, um dos principais eventos do calendário de São Paulo, foi cortada em um terço em sua edição 2009, devido ao contingenciamento de 33% na verba da Secretaria Municipal da Cultura (outras áreas também sofreram cortes). Marcada para os dias 2 e 3 de maio, a Virada terá neste ano R$ 4,5 milhões (em 2008, foram R$ 6 milhões gastos em 800 atrações e 26 palcos só no centro da cidade. Por conta disso, não haverá programação no Parque D. Pedro e na Avenida Rio Branco.

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO diminuiu em R$ 6 milhões o orçamento da sua Secretaria da Cultura para 2009.

O GOVERNO FEDERAL contingenciou em 75% o orçamento do Ministério da Cultura. O ministério mantém a confiança em um descontigenciamento significativo desse quantia. "Nosso orçamento é muito pequeno para contribuir num processo generalizado. Tirar da gente é impactar muito a gente, e ajudar muito pouco no contingenciamento. Nosso orçamento chega a um bilhão", diz Alfredo Manevy, ministro interino.

Governo prepara pacote anticrise para cultura

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O Ministério da Cultura brasileiro está trabalhando num pacote anticrise, tentando amenizar o impacto da turbulência econômica na cultura nacional. A notícia do pacote anticrise foi adiantada ao jornal O Estado S. Paulo por Alfredo Manevy, ministro interino da Cultura, que esteve em São Paulo esta semana para anúncio dos investimentos de um instituto cultural (o ministro Juca Ferreira está fora do País).



?A gente está preparando isso. Um pacote de medidas, no campo cultural, que tenha um efeito anticíclico em relação à economia. Incluirá reformas de espaços culturais, que geram construção civil, ampliação do parque exibidor cinematográfico e tudo o que for apresentado e gerar um impacto na economia, com interface no campo cultural. O presidente Lula já sinalizou que está disposto a incorporar o investimento estratégico este ano. E a gente está preparando o pacote?, disse Manevy.



O sistema de financiamento da cultura no País está perto da asfixia. A Lei Rouanet, maior mecanismo de fomento federal, enfrenta desistências de patrocinadores importantes desde o final do ano passado. A verba investida decorre de renúncia fiscal - ou seja: as empresas usam dinheiro do seu Imposto de Renda que seria pago à Receita Federal. Mas, para ter dinheiro no caixa em tempos incertos, patrocinadores importantes estão cancelando compromissos pré-agendados com produtores culturais.



O cenário é desanimador. A maior estatal em investimentos culturais, a Petrobras, está retirando verbas de patrocínios. Outras estatais estão cautelosas - estão entre as seis maiores patrocinadoras do País (Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobrás), que representam quase 40% do total das 500 maiores empresas brasileiras. Governos municipais, como o de São Paulo, contingenciam verbas para a área, comprometendo programas (a verba para a Virada Cultural, este ano, foi cortada em 30%). No governo estadual, o orçamento da Secretaria de Estado da Cultura será um pouco menor este ano, R$ 534 milhões, ante R$ 540 milhões em 2008. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A partir deste semana serão veiculados em salas de cinema de São Paulo e Santos dois comerciais sobre o curso de Cinema Digital da Universidade Metodista.

Estes comerciais foram produzidos e criados pelos alunos do 6º semestre, em 2008, em alta resolução e contam com pós-produção de som em 5.1.

A exibição ocorrerá na rede da Rain Network. É com muito orgulho que comunico este fato absolutamente inédito na história dos cursos de cinema no Brasil - comerciais
criados e produzidos por alunos sendo veiculados em salas de cinema do
circuito comercial.

Na seqüência, no final de janeiro e nos meses subseqüentes a Rain e a MovieMobz iniciarão as exibições dos curtas produzidos pelos alunos do 6º semestre
.



quinta-feira, novembro 06, 2008

Crítica: Em 'Quantum of solace', 007 quer vingança

Novo filme de James Bond estréia nesta sexta-feira (7) nos cinemas.
De volta ao papel, Daniel Craig personifica o agente brutal e rebelde.

Da Reuters

A reinvenção de James Bond foi um dos grandes trunfos de "Cassino Royale" (2006) e, agora, em "007 - Quantum of solace", a mesma fórmula se repete com sucesso. O novo longa do agente britânico estréia na sexta-feira (7) em todo o país, em cópias dubladas e legendadas.


Adaptado aos novos tempos, "007 - Quantum of solace" tem tudo o que se espera de um filme de ação: sequências emocionantes ininterruptas, em que a tensão é movida ao som de tiros e carros destruídos.


De volta ao papel, o ator Daniel Craig personifica essa proposta como um agente brutal e rebelde, que trabalha para a Majestade britânica, mas não segue as regras de forma convencional. Com uma autonomia autoconcedida, Bond não mostra escrúpulos ao destruir os lugares por onde passa ou exterminar vilões e seus capangas.


Em "007 - Quantum of solace" (título que se manteve do inglês pela dificuldade de tradução, que seria algo como "quantidade de conforto"), Bond quer encontrar os responsáveis pela morte de Vésper (Eva Green), sua namorada em "Cassino Royale" que o traiu, porém, mais tarde, também se sacrificou por ele.


Em busca de vingança, Bond cruza o caminho de uma organização internacional secreta, que parece maior e mais perigosa do que o conjunto de agências governamentais de espionagem pelo mundo.


Como nem Bond nem sua chefe no M16, M (Judi Dench), têm qualquer informação sobre essa organização, o agente segue os passos de Dominic Greene (o ator francês, Mathieu Amalric, de "O escafandro e a borboleta"). Disfarçado de ambientalista, o vilão derruba e instaura ditaduras em países pobres da América Latina, de olho nas riquezas naturais exploráveis dessas nações.


Greene será a peça que permitirá a Bond conhecer quem são as pessoas por trás da organização, que, segundo um dos seus associados, "está em todo lugar". Para o trabalho, o agente contará com a ajuda de Camille (a ucraniana Olga Kurylenko), que também tem sua própria agenda, que inclui matar o ditador de seu país.


Com uma direção competente, assinada por Marc Forster (de "A última ceia"), "007 - Quantum of solace" tem entre suas principais qualidades a de prender o espectador na cadeira com seu ritmo acelerado.


No entanto, algo que pode decepcionar é o fato de ser um filme intermediário, que não explica ou dá pistas sobre os reais vilões da nova safra da franquia 007: a tal poderosa organização sem rosto, que está em todo o lugar. As respostas ficarão, provavelmente, para as próximas seqüências.


Por Rodrigo Zavala, do Cineweb

Morre Michael Crichton, criador de "Jurassic Park"

05/11/2008

por Vitor Drumond - do Cinema em Cena

O cinema perdeu uma de suas maiores fontes de inspiração. Michael Crichton, um dos escritores mais adaptados de Hollywood, morreu dia 04 de novembro, aos 66 anos.

Segundo seu site oficial, o autor faleceu depois de uma "corajosa e privada batalha contra o câncer".

Seu primeiro livro que teve uma versão para a tela grande foi O Enigma de Andrômeda,ficção-científica sobre um grupo de cientistas que investiga um vírus alienígena antes que ele se espalhe sobre a Terra. Formado em medicina, Chrichton escreveu a obra quando ainda cursava a faculdade. Sua preferência por contos que envolviam temas científicos atraíram os grandes produtores de Hollywood. Jurassic Park, provavelmente o mais famoso filme adaptado de um romance seu, tinha como base o retorno dos dinossauros através de combinações de DNA. Linha do Tempo, Twister, Sol Nascente e Assédio Sexualsão outros quatro entre tantos livros do autor levados ao cinema.

Crichton se tornou uma importante figura no mundo do entretenimento. Dirigiu e roteirizou alguns filmes, entre elesO Primeiro Grande Assalto de Trem, aventura estrelada por Sean Connery e baseada em uma obra homônima do autor, e Westworld - Onde Ninguém Tem Alma, uma mistura de ficção-científica e western, com roteiro original de Crichton. Seu último filme como diretor foi O 13º Guerreiro, com Antonio Banderas. Como roteirista, ainda escreveu o piloto de uma das séries mais longevas da atualidade, E.R. Em uma infeliz coincidência, este será o ano da 15ª e última temporada do drama médico.

Em uma declaração, a família do autor ressaltou a sua importância e a falta que ele irá fazer. "Através de seus livros, Michael Crichton serviu de inspiração para estudantes de todas as idades, desafiou cientistas em vários campos e iluminou os mistérios do mundo de um jeito que poderíamos entender perfeitamente. Sua falta será sentida por todas aquelas vidas que tocou, mas ele será lembrado por sua sede de conhecimento, seu desejo de compreensão e sua inteligência em prol de um mundo melhor".

quinta-feira, setembro 25, 2008

Linha de Passe



MARCELO COELHO


Filmar pobre não é pecado


"Linha de Passe" não é incorreto nem correto: é equilibrado; trata-se de personagens duros
DEPOIS DE "Abril Despedaçado", criei certa preguiça de ver os filmes feitos por Walter Salles Jr.


Claro que é um cineasta excelente. Acho que não andei sozinho, contudo, ao reclamar do excesso de correção política e de intenções esperançosas num filme como "Central do Brasil". E também de uma estetização meio enevoada e fácil em "Abril Despedaçado". Assim, não tive muita pressa para ver "Linha de Passe", o mais recente filme de Walter Salles, em colaboração com Daniela Thomas. O público, por sua vez, parece dar mostras de cansaço diante de tanta gente pobre no cinema brasileiro. Ainda mais quando um dos pobres é motoboy (operários e camponeses já desapareceram do nosso horizonte), e quando se abordam os temas onipresentes do futebol e da fé evangélica. Com um ou outro toque de narcotráfico, para não se perder o costume. Nos domingos, pobres vão ao culto. Intelectuais de esquerda vão ao Espaço Unibanco.


Juntei-me ao meu rebanho. Gostei de "Linha de Passe". Não vi no filme tanta correção política assim. Hoje em dia, parece que só se pode evitar esse defeito caindo no exagero inverso. "Linha de Passe" não é incorreto nem correto: é equilibrado, sem que esse equilíbrio pareça resultado de uma dosagem quimicamente produzida entre uma coisa e outra. A faxineira pobre vivida por Sandra Corveloni pode sofrer um bocado com a indiferença e a pressa de sua patroa, mas não é apresentada como vítima da opressão burguesa. Grávida de seu quinto filho, ela fuma sem parar. Se lembrarmos da Fernanda Montenegro de "Central do Brasil", o papel de Sandra Corveloni em "Linha de Passe" dá mostras de muito mais contenção estética. Fernandona era reconhecível, simpatizável, emocionável, "chorável". Corveloni é seca, áspera, e sua personagem parece estar a contragosto no filme e na vida.Os demais personagens de "Linha de Passe" também são tratados a uma nítida distância emocional.


Aquele garotinho bonzinho e perdido de "Central do Brasil" deu lugar a um pré-adolescente de péssimos bofes, e talvez até o mais generoso psicopedagogo da ONG Projeto Pivetinho o julgasse merecedor de alguns cascudos antes das primeiras aulas de violino e de cerâmica. Quanto a seus irmãos mais velhos, todos se ressentem de muita adversidade e frustração, mas nunca o roteiro pretende convencer-nos de que são apenas vítimas de um sistema injusto. Trata-se, sobretudo, de personagens duros, ou, se quisermos, endurecidos pelas circunstâncias. Gestos de carinho são raríssimos, a trilha sonora é das mais econômicas, a câmera não afaga nem lambe o rosto de ninguém.


Correção política? Os pobres de "Linha de Passe" não acendem as esperanças de nenhum coração de esquerda. De resto, xingam-se, maltratam-se, exibem preconceitos o tempo todo. Só de forma muito indireta é que seus sonhos apontam para alguma coisa como um ideal comum de salvação. Um quer ser jogador de futebol; outro aposta na retidão da alma; o garoto quer ser chofer de ônibus. Três imagens do "coletivo", do "comunitário", do "nacional". São, contudo, reinterpretadas num prisma individualista. A torcida, em transe coletivo, importa menos do que o projeto de ascensão de um rapaz cujo principal defeito é ser "fominha" em campo. O comunitarismo cristão nada significa para outro personagem, fechado em sua pura e dura redenção individual. O ônibus que o menino quer conduzir está sem passageiros.


Estetização da pobreza? Tampouco vi qualquer coisa nesse sentido em "Linha de Passe". Qualquer continuidade coreográfica dos movimentos de câmera é substituída, aqui, por uma linguagem que privilegia o corte, a interrupção, a montagem. Recursos anti-sentimentais e "distanciadores" por excelência.Mesmo os closes dos personagens dão a impressão de serem filmados a uma certa distância, de tal modo cada ator se recusa à cumplicidade sentimental com o público. Desconfio que, se "Linha de Passe" desagrada, é pelas suas qualidades; ou por outros defeitos (certa monotonia, por exemplo) que, em todo caso, não são aqueles que eu esperava quando entrei na minha resignada fila dominical. Que assim seja, e que o filme seja louvado.

segunda-feira, maio 05, 2008

O devorador de sonhos


Com palavrões e diálogos irônicos, diretor americano representou personagens marginais e o vale-tudo do capitalismo
MARIA SILVIA BETTI
ESPECIAL PARA A FOLHA

David Mamet é relativamente pouco conhecido no Brasil, e é provável que o seja mais pelos roteiros que escreveu para o cinema do que por sua extensa produção dramatúrgica.
Certamente filmes como "The Postman Always Rings Twice" (O Destino Bate à Porta, 1981), "The Verdict" (O Veredito, 1982), "House of Games" (Jogo de Emoções, 1987), "The Untouchables" (Os Intocáveis, 1987), "Homicide" (Homicídio, 1991) e "Glengarry Glen Ross" (Sucesso a Qualquer Preço, 1992) são mais familiares ao público brasileiro do que as peças de sua autoria encenadas no Brasil: "Sexual Perversity in Chicago" (Perversidade Sexual em Chicago), "A Life in Theater" (Avesso) e "Edmond". Nascido em Chicago em 1947, Mamet pertence a uma geração que atingiu a maturidade na década de 1970, quando os sonhos libertários da década anterior já se encontravam solapados pela indústria do consumo.
Em suas peças, a representação do individualismo cínico e do vale-tudo competitivo do capitalismo financeiro ganham forma sincopada e compacta em diálogos irônicos, de frases elípticas e entrecortadas, repletas de palavrões e de coloquialismos urbanos.
Pinter e Beckett
Muitas de suas personagens pertencem a camadas sociais excluídas de qualquer possibilidade de atingir o sucesso financeiro alardeado pelo sistema dominante. Outras ligam-se precisamente a setores cruciais desse sistema, como a indústria cinematográfica, o mercado imobiliário, o mundo dos negócios e a universidade.
Mamet foi sempre um admirador confesso de Harold Pinter e de Samuel Beckett, e o vigor crítico de sua dramaturgia decorre, em grande parte, do uso substantivo da palavra e da urdidura dos diálogos: mais do que "falar sobre" este ou aquele tema ou idéia, as falas em suas peças efetivamente "são" algo, já que é em seu próprio funcionamento e mecanismos que se materializam as estratégias de pensamento e os jogos de poder postos em foco.
Mudança radical
Em 1975, o sucesso de "American Buffalo" na Broadway fez de Mamet uma personalidade em ascensão. Ao longo da década seguinte, ele viria a consolidar uma carreira múltipla como dramaturgo e contista. É romancista, roteirista, diretor cinematográfico e ensaísta, além de ministrar concorridas oficinas de dramaturgia dirigidas a jovens criadores em formação.
O artigo de Mamet que o Mais! publica nesta edição causou impacto nos meios teatrais e jornalísticos e perplexidade generalizada: auto-assumido filho dos anos 60, autor de algumas das mais inequívocas e contundentes obras de expressão crítica à ideologia dominante norte-americana, ele vem ali a público declarar que mudou radicalmente de opinião e comentar a guinada que acaba de dar rumo a um pensamento de direita.
Partindo de uma analogia entre seu próprio caso com a mudança drástica de opinião por parte de John Maynard Keynes e de Norman Mailer, Mamet passa a tecer observações de um cinismo tão rascante que o efeito produzido chega a ficar paradoxalmente próximo ao do efeito de estranhamento.
Trata-se, sem dúvida, de algo digno de nota para um dramaturgo que se caracterizou sempre por lançar mão do recurso contrário, ou seja, de um aparente, ilusório e muitas vezes mal compreendido (hiper) naturalismo.
Todos os que conhecem a contundência crítica de "Sucesso a Qualquer Preço" [leia trecho abaixo], para ficar apenas na referência mais familiar ao público brasileiro, acharão desconcertantes as declarações do artigo não apenas pelo teor, mas também pela forma abrupta e pública com que Mamet fez questão de torná-las inequivocamente oficiais em plena época de campanha para a sucessão presidencial.
Diante desse contexto, o paralelo entre Bush e John Kennedy ou entre a esquerda e a direita norte-americanas corre o risco de soar mais como insolência autoral do que como estratégia argumentativa ou provocação crítica. O raciocínio se coloca perigosamente sobre uma fina lâmina que separa de forma propositalmente precária os termos equiparados.
Para aqueles que têm alguma familiaridade com as opiniões que Mamet defendeu em grande parte de sua carreira, as idéias defendidas no artigo tornam irreconhecíveis as opiniões de outros momentos.
De 1988, por exemplo, em plena efervescência capitalista da América de Ronald Reagan: "A América se encontra em um estado deplorável. Estamos num período muito difícil. Nossa cultura acabou de desmoronar e vai se extinguir antes que alguma outra coisa ocupe o seu lugar.
Portanto, quer se diga teatro norte-americano ou produção de carros ou padrão de vida norte-americano, tudo isso está no mesmo barco. O teatro não é um aspecto separado de nossa civilização. Ele é parte da nação".
Se é verdade que a grande circulação de Mamet nos meios midiáticos fez dele alguém com grande visibilidade pública, também é verdade que essa visibilidade não se sobrepõe aos próprios trabalhos do autor e à materialidade de sua substância artística.
O poder expressivo da criação artística não se limita às intenções ou determinações autorais, pois conta com expedientes mais eficazes de representação e pensamento que os inerentes ao campo da crítica.
Se o conteúdo do artigo nos coloca em alerta diante do rumo a ser tomado pelos próximos trabalhos de Mamet, ele não deixa de nos fazer lembrar também que, no estágio atual de uma sociedade como a norte-americana, colocar os pingos nos is pode ser uma corajosa opção, com todas as armadilhas que eventualmente envolva: o país, seus valores e sua cultura não são "uma sala de aula", mas um "mercado".
Frieza cínica
O "e, no entanto" perturbador estigmatiza grande parte dos percursos de luta e resistência apoiados na estratégia pura e simples do confronto.
Estará Mamet fazendo uso do mesmo recurso que emprega em suas peças, e expondo, na frieza cínica de seu artigo, as operações de pensamento praticadas no campo da ideologia dominante?
Responder a essa pergunta é certamente menos importante do que constatar, com todo o justificável mal-estar que causam suas formulações, que muito temos a refletir e a aprender, política e dramaturgicamente, com a leitura e a encenação de seus trabalhos.

MARIA SILVIA BETTI é professora de literatura inglesa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.